quinta-feira, 12 de abril de 2012

FELICIDADE COLETIVA

*Por Edgar Rodrigues (1921-2009)
                                                                                                                                                             Cada dia que se passa o homem encurta as distâncias geográficas, torna o mundo uma aldeia global, conquista novos espaços com ajuda da ciência e tecnologia. A química multiplica a produção de alimentos, a indústria automatiza-se, a eletrônica produz "milagres materiais", os governantes modernizam-se, o Estado fortalece suas bases e a humanidade continua infeliz.


Para alcançar tal estágio, o homem poluiu as águas e a atmosfera, destruiu florestas, agrediu a natureza, robotizou e dominou seus semelhantes! Semeou ódio, despertou ambições, ganâncias, estimulou superioridades, patriotismo; criou situações conflitantes, fomentou guerras, promoveu a exploração, a corrupção, a competição. E apoiados em hierarquias científicas e econômicas, governantes fabricam armas e esfomeiam mais de 1/3 da Humanidade! Exceptuando os políticos, e uma nata de capitalistas, os quase 2/3 de produtores restantes trabalham disputando exíguo espaço vital de sobrevivência. 


E, no entanto, o homem possui conhecimentos, recursos técnicos e científicos para realizar a felicidade de todos e de cada um. Bastaria implantar uma educação Nova, Racionalista, que tome o elemento humano como a coisa mais importante a preservar, a desenvolver, livre de ambições, ódios, inveja, rancor, vaidades - sem distinção de sexo, idade, cor, raça, país de nascimento, coeficiente de inteligência e/ou força física. Promovida, assim, a valorização do indivíduo, a constante e pacífica evolução, o homem verá despontar o bem, a tolerância, o respeito mútuo, a solidariedade e o Amor Fraterno. e uma vez ligado a todos os homens emocionalmente pelo sentimento e pelo coração, poderá participar da reeducação e da transformação de indivíduos estranhos em povos irmãos, capazes de sedarem as mãos e buscar a felicidade coletiva.

Isto é Anarquismo: Uma alternativa para conseguir os fundamentos sociais, a personalidade ética, capaz de conduzir o homem em consequência progressiva desses sonhos de felicidade que a humanidade vem perseguindo e alimentando através da história.


O Anarquismo não promete milagres, um paraíso isento de imperfeições. O homem carrega temores psíquicos gravados no inconsciente coletivo através de séculos, impostos pelos mais fortes e pela natureza - cujos fenômenos ignorava. Nem o anarquista imagina fabricar um novo homem despojado de  tudo que possa gerar conflitos. Pretende, porém, estruturar um sistema de convivência que não produza os germens da discórdia. O Anarquismo não é somente um projeto de sociedade futura, de formas de convivência propícias a consumação da felicidade, mas também uma ética de vida cotidiana que vai forjando com maior solidez a sociedade nova do amanhã.


*Do livro "Os Libertários", do autor.
*Publicado também no Fanzine O Trem das 7
número 28 - 1993.





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